O fim de uma era: Monotrilho de Poços de Caldas tem demolição confirmada

O fim de uma era: Monotrilho de Poços de Caldas tem demolição confirmada

Prefeitura e Ministério Público assinam acordo histórico para remover trecho central da estrutura desativada desde 2003, mudando o cenário urbano e preservando o patrimônio histórico do município

O cenário urbano do Centro de Poços de Caldas passará por uma transformação histórica nos próximos anos. No dia 16 de setembro de 2026, a prefeitura do município mineiro confirmou oficialmente que o trecho central do monotrilho será completamente demolido até o dia 31 de dezembro de 2028. A decisão inédita foi anunciada e formalizada durante uma audiência pública na Câmara Municipal, resultado da assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público, colocando um ponto final em décadas de impasse sobre a estrutura que se transformou em um “elefante branco” na paisagem local.

O plano de desmonte vai impactar diretamente a área mais movimentada da cidade. A remoção começará na plataforma de embarque do Terminal de Linhas Urbanas e seguirá até as proximidades do Espaço Cultural Urca. Essa intervenção é considerada delicada por acontecer no entorno de cartões-postais e bens tombados pelo patrimônio histórico, como o complexo do Palace Casino. Enquanto o centro tem destino traçado, o futuro das pilastras localizadas na Avenida João Pinheiro ainda é incerto e divide opiniões entre a demolição total e projetos de revitalização.

A decisão de deitar a estrutura abaixo veio após a constatação de que a reativação do sistema seria inviável. Estimativas apontam que seriam necessários mais de R$ 10 milhões apenas para colocar os trens em funcionamento de forma segura. Diante do alto custo, a Câmara Municipal agora discute soluções sustentáveis para os resíduos da demolição. Uma das principais propostas é triturar o concreto retirado da linha elevada e reaproveitá-lo como cascalho para a manutenção de estradas rurais do município.

Idealizado na década de 1980, o projeto nasceu com a promessa de revolucionar a mobilidade urbana e se tornar uma grande atração turística. Com 6 quilômetros de extensão e 11 estações, a linha ligava o terminal rodoviário ao coração da cidade. Contudo, após sucessivos atrasos, a obra só foi inaugurada no ano 2000.

O sonho do transporte moderno acabou precocemente em 2003, quando a queda de duas pilastras interrompeu as operações em definitivo por razões de segurança. O esqueleto de concreto permaneceu abandonado sob responsabilidade da concessionária privada até 2019, quando foi devolvido oficialmente à municipalidade. Quase três décadas após o início da sua construção, o primeiro monotrilho do Brasil deixa de ser uma promessa de futuro para virar poeira e história.

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