São Paulo, Brasil
A Motiva concluiu nesta terça-feira (1) a venda de 100% da sua plataforma de aeroportos para a mexicana Grupo Aeroportuario del Sureste (ASUR), um dos principais operadores aeroportuários da América Latina. O valor final da transação, após atualização monetária por taxa negociada entre as partes e ajustes de balanço, foi de R$ 12,211 bilhões, sendo R$ 5,187 bilhões em equity por 100% das ações da CPC Holding, veículo que consolidava as participações da Companhia nos 20 aeroportos, e R$ 7,024 bilhões em dívidas dos ativos.
Maior transação aeroportuária realizada no mundo recentemente, de acordo com a concessionária, o processo competitivo contou, ao longo de toda a operação, com a participação de mais de 20 de grupos europeus, latino-americanos e asiáticos, superando as expectativas da Motiva. A conclusão da venda ocorreu após a aprovação da transação pelos órgãos de defesa da concorrência, credores e poderes concedentes de Brasil, Equador, Costa Rica e Curação, países onde a Companhia tinha operações aeroportuárias. Neste período, a Motiva seguiu administrando os terminais, preservando o quadro de colaboradores e o cumprimento integral dos contratos vigentes.
Anteriormente, a Motiva já havia encerrado a sua operação de Barcas, no Rio de Janeiro, e repactuado o contrato da BR-163/MS, hoje operada pela Motiva Pantanal. Isso já se reflete nos resultados da Companhia, cuja margem Ebitda saltou de 55,7%, ao final de 2022, para 67,3% ao final do primeiro semestre de 2026.
Pelos termos finais da transação, os ativos foram precificados a um múltiplo EV/EBITDA (LTM) de 8,8x, que é acima do múltiplo atual da Motiva, o que se traduz em criação de valor para a Companhia e os seus acionistas. Os recursos da operação serão utilizados para a redução do endividamento da holding da Companhia.
Com a conclusão do negócio, a alavancagem consolidada, que considera as controladas em conjunto com a Motiva, cairia de 3,7 vezes para cerca de 3 vezes, ampliando a capacidade financeira da Companhia para fazer frente ao pipeline de R$ 170 bilhões de oportunidades mapeadas para os próximos anos para concessões rodoviárias, de trens e metrôs no Brasil, além de otimizar a estrutura de capital e melhorar o perfil de risco do portfólio.
Finalizada a transação de venda, tem-se início um período de transição acordado entre as partes para a transferência dos ativos dos sistemas corporativos e administrativos da Motiva para a ASUR, com o Centro de Serviços Compartilhados (CSC) da Companhia prestando suporte aos serviços de backoffice ao grupo mexicano temporariamente, tais como folha de pagamentos, suprimentos e Tecnologia da Informação (TI). Essa iniciativa visa garantir a continuidade operacional dos 20 aeroportos sem impactos aos passageiros.
Adicionalmente, no dia seguinte à conclusão da transação, todos os colaboradores que hoje trabalham na plataforma de aeroportos serão transferidos para a Asur. Além disso, os resultados da operação, que atualmente estavam sendo contabilizados na linha “Ativos e Passivos Mantidos para Venda e como Operações Descontinuadas” das demonstrações financeiras, deixam de ser consolidados no balanço neste terceiro trimestre de 2026.
A Motiva Aeroportos, agora integralmente vendida à ASUR, reúne 20 operações aeroportuárias na América Latina, sendo 17 no Brasil e três em outros países da região, com movimento anual de cerca de 45 milhões de passageiros e mais de 200 rotas regulares. Estes números colocam a operação como a terceira maior do Brasil, com ativos estratégicos, como os aeroportos de Curitiba, Belo Horizonte e Goiânia.


Deixe um comentário