Dados da CPTM e do Metrô divulgados no Dia Mundial Sem Carro mostram o impacto do transporte sobre trilhos na redução de congestionamentos e na economia de até 51 vezes nas emissões de poluentes por passageiro em SP
No Dia Mundial Sem Carro, celebrado nesta terça-feira (22), a eficiência do transporte público sobre trilhos ganha destaque na Região Metropolitana de São Paulo pelos seus diferentes impactos na mobilidade. Dados das companhias estaduais revelam que, enquanto a capacidade de um único trem da CPTM consegue retirar o equivalente a 1,7 mil carros das ruas, a operação combinada das cinco linhas convencionais do Metrô evita um cenário ainda mais crítico: sem elas, seriam necessárias 16 novas “Marginais” (Tietê ou Pinheiros) na superfície para comportar o mesmo fluxo de passageiros em automóveis.
O impacto no trânsito e no espaço urbano
A capacidade de mover grandes multidões ocupando o mínimo de espaço na superfície é o principal trunfo do transporte metroferroviário:
- Eficiência na CPTM: Segundo dados da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), um único trem da companhia (com oito carros) transporta cerca de 2,6 mil passageiros. Considerando a média de 1,5 pessoa por automóvel, seriam necessários 1,7 mil veículos a mais nas ruas para realizar a mesma viagem. Em 2025, a força dessa operação ficou evidente: o Relatório Integrado da CPTM registrou 473,41 milhões de passageiros transportados, divididos em 496,5 mil viagens.
- A equivalência das Marginais no Metrô: Uma única linha de metrô transporta cerca de 60 mil passageiros por hora em cada sentido de forma subterrânea ou elevada. Para transportar o mesmo volume em carros na superfície, seriam necessárias 33 faixas de tráfego por sentido. Multiplicado pelas cinco linhas convencionais da rede (1-Azul, 2-Verde, 3-Vermelha, 4-Amarela e 5-Lilás), o sistema do Metrô substitui o equivalente a 330 faixas de trânsito — o mesmo que 16 Marginais completas (com 20 faixas totais cada).
Benefícios ambientais: Emissões até 51 vezes menores
Além de destravar o trânsito, a opção pelos trilhos poupa o meio ambiente de toneladas de poluentes atmosféricos todos os dias.
De acordo com o Inventário de Gases de Efeito Estufa (GEE) da CPTM, a operação ferroviária registrou um índice de apenas 2,786 gramas de CO₂e por passageiro-quilômetro em 2025. Quando comparado ao transporte individual por automóvel, que emite cerca de 142 gramas de CO₂e (dados ANTP 2023), o carro polui aproximadamente 51 vezes mais por passageiro do que o trem. Essa eficiência na CPTM é impulsionada pelo uso de tecnologias como a frenagem regenerativa e pela compra de 100% da eletricidade de tração no Mercado Livre de Energia.
Pelo lado do Metrô, apenas em 2025, os benefícios sociais gerados por sua operação somaram R$ 16,5 bilhões. O cálculo engloba a economia de 553,5 milhões de horas em tempo de viagem, a redução de 309,3 milhões de litros de combustíveis e a prevenção de 574 mil toneladas de emissões atmosféricas, além de evitar 3 mil acidentes de trânsito.
Futuro e expansão até 2040
As projeções indicam que os ganhos socioambientais vão se multiplicar nas próximas décadas. Atualmente com 116 km de extensão, a malha metroviária deve saltar para 280 km e 230 estações até 2040, elevando o atendimento diário de 3 milhões para 8 milhões de passageiros.
Com as futuras expansões das linhas 2-Verde e 15-Prata, somadas aos novos projetos das linhas 19-Celeste, 20-Rosa, 21-Vinho e 22-Marrom, estima-se que a rede do Metrô evite a emissão de 2,5 milhões de toneladas de poluentes por ano a partir de 2040. Os projetos também devem poupar anualmente 1,9 bilhão de horas em deslocamentos e prevenir cerca de 17,5 mil acidentes de trânsito, consolidando a mobilidade sustentável na Região Metropolitana de São Paulo.
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