Painéis indicam a velocidade dos usuários e reforçam limite de 20 km/h; nesta primeira fase, equipamentos têm caráter educativo e não aplicam multas
A ciclovia da Avenida Brigadeiro Faria Lima, uma das mais movimentadas de São Paulo, passou a contar com painéis eletrônicos que mostram, em tempo real, a velocidade de quem circula pelo espaço. A iniciativa ocorre em um momento de transformação da mobilidade sobre duas rodas, marcado pela convivência entre bicicletas convencionais, elétricas e diferentes tipos de veículos autopropelidos.
Os equipamentos estão instalados ao longo da ciclovia e exibem a velocidade registrada junto à indicação de 20 km/h. Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), os painéis têm, neste primeiro momento, função educativa: não funcionam como radares de fiscalização e não geram multas para quem ultrapassa a velocidade indicada.
Faria Lima vira laboratório para nova medida
A escolha da Faria Lima não foi por acaso. De acordo com a CET, o trecho concentra grande circulação de bicicletas e veículos autopropelidos, além de apresentar largura compatível com a instalação dos equipamentos. A companhia também afirma ter identificado veículos circulando acima da velocidade regulamentada, situação que pode elevar os riscos, especialmente nos cruzamentos.
O vídeo mostra o funcionamento do sistema: conforme o usuário se aproxima, o painel registra e exibe sua velocidade. Em registros feitos na quinta-feira (24), houve usuários circulando acima dos 20 km/h e, em um dos casos, o equipamento chegou a indicar 33 km/h.
Novos veículos, novos desafios para as ciclovias
A medida também coloca em evidência uma discussão cada vez mais presente nas grandes cidades: a infraestrutura cicloviária, originalmente projetada principalmente para bicicletas, passou a receber veículos com características, pesos e velocidades bastante diferentes.
Na Faria Lima, bicicletas tradicionais dividem espaço com bicicletas elétricas e autopropelidos — e há registros até mesmo da circulação de motocicletas. Esse novo perfil de utilização aumenta a importância da gestão de velocidade e da convivência entre os diferentes usuários.
Em agosto, a Prefeitura de São Paulo estabeleceu limite de 20 km/h para bicicletas elétricas, patinetes e outros equipamentos autopropelidos nas ciclovias e ciclofaixas. Em espaços compartilhados com pedestres, o limite previsto para bicicletas elétricas é de 6 km/h.
A mudança ocorre enquanto cresce a preocupação com a segurança de quem utiliza os modos ativos. Dados do Detran-SP citados em levantamento recente mostram que 23 ciclistas morreram no trânsito paulistano entre janeiro e agosto de 2026, ante 18 no mesmo período de 2025.
Multas ainda estão em avaliação
Por enquanto, portanto, quem passar pelo painel acima dos 20 km/h verá a velocidade indicada, mas não receberá uma autuação pelo equipamento.
A CET informou que os painéis são móveis e que a tecnologia deverá ser utilizada gradualmente em outros pontos de São Paulo, conforme a necessidade. A eventual adoção de penalidades e a forma de fiscalização ainda estão sendo avaliadas à luz das legislações federal, estadual e municipal. Folha de S.Paulo
Mais do que um simples marcador de velocidade, a experiência na Faria Lima sinaliza um desafio que tende a ganhar espaço no planejamento da mobilidade urbana: como adaptar as ciclovias ao crescimento de veículos elétricos e autopropelidos sem comprometer a segurança de ciclistas e pedestres?
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