Proposta de expansão liga o hub da Zona Oeste a Interlagos, cria conexões com 8 linhas de metrô e exige trens maiores com intervalos de 90 segundos
O canal de YouTube, “Linha Caqui”, elaborou uma proposta de um novo projeto para a Linha 17-Ouro, que cruzaria boa parte da cidade de São Paulo. O canal publica vídeos sugerindo novas rotas de linhas metroviárias bem como notícias e curiosidades das existentes e futuras.
Hoje estritamente associada à ligação ao Aeroporto de Congonhas, o estudo sugere transformar o ramal em uma grande linha transversal e perimetral, conectando o terminal Palmeiras-Barra Funda (Zona Oeste) ao Autódromo de Interlagos (Zona Sul).
A expansão criaria um dos corredores mais robustos da capital, cruzando polos de alta demanda como Perdizes, Jardins e Ibirapuera. Com capacidade calculada para atrair cerca de 620 mil passageiros por dia útil, o projeto desafia a lógica tradicional sobre a capacidade máxima do sistema de monotrilho.
O Segredo da Rede: Divisão de Fluxos e Conexões Estratégicas
A grande inovação do projeto não está apenas no tamanho do traçado, mas na sua inteligência de conectividade com as linhas existentes e planejadas. Em vez de centralizar o fluxo, a Linha 17 distribuiria os passageiros por meio de “portas de acesso” complementares:
- Hub Barra Funda: A linha já inicia sua operação captando a alta demanda vinda das linhas ferroviárias da região.
- Integração Dupla com a Linha 22-Marrom: Ocorre nas estações Monte Alegre/PUC (junto à Linha 28) e Sumaré (junto à Linha 2-Verde), pulverizando a transferência de passageiros.
- Acesso Cultural e Verde: Três estações consecutivas no entorno do Parque Ibirapuera fariam a distribuição integrada com as linhas 19-Celeste e 16-Violeta.
- Conexão Hospitalar e Zonas de Emprego: Integração com a Linha 5-Lilás na estação AACD-Servidor e passagem pela Linha 20-Rosa (Rubem Berta).
O Desafio Técnico: O Monotrilho Daria Conta?
O trecho central da proposta (próximo à Rubem Berta) é considerado o mais crítico, com carregamento estimado entre 33 mil e 38 mil passageiros por hora e por sentido (PHS) nos horários de pico.
Para absorver esse volume sem colapsar, o estudo defende que o monotrilho precisa deixar de ser visto como um modal de média capacidade. A engenharia do projeto prevê:
- Plataformas expandidas para 135 metros;
- Trens modernos de maior porte;
- Operação automática com intervalos curtos de 90 a 105 segundos.
Com essa configuração, o sistema atingiria uma capacidade teórica de até 40 mil passageiros/hora/sentido, viabilizando o corredor. Além disso, a presença de grandes avenidas (como a Bandeirantes) favorece as estruturas elevadas do monotrilho, evitando os custos bilionários de túneis subterrâneos contínuos.
O Gargalo em Congonhas
Apesar dos benefícios, o maior desafio de engenharia estaria na estação Congonhas . Como a infraestrutura atual da Linha 17 foi planejada para trens menores e menor capacidade operacional, a extensão exigiria uma auditoria severa. Seria necessário readequar vigas-guia, plataformas, subestações de energia e pátios de manobra para suportar composições significativamente mais pesadas e longas.
Na ponta sul, a chegada ao Autódromo de Interlagos — conectando-se com a futura Linha 31-Viridiana — consolidaria o terminal não apenas como um polo de eventos, mas como o principal hub de distribuição para quem se desloca do extremo sul em direção ao centro expandido de São Paulo.
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