Estação planejada para a Linha 4-Amarela, na zona oeste de São Paulo, não foi construída. No local, o Metrô implantou uma estrutura operacional e de emergência, enquanto a retomada do projeto ainda depende de novos estudos e decisões oficiais
Uma estação de metrô que poderia atender à região do Butantã, na zona oeste de São Paulo, nunca chegou a receber passageiros. A Estação Três Poderes, prevista no projeto original da Linha 4-Amarela, foi retirada dos planos durante a implantação do ramal. No espaço destinado à estrutura, o Metrô construiu um poço de ventilação com saída de emergência, conforme documento da própria companhia apresentado à Assembleia Legislativa de São Paulo.
A estação estava planejada para a região da Praça Paula Moreira, nas proximidades da Avenida Professor Francisco Morato, entre as estações Butantã e São Paulo-Morumbi. A proposta original também previa um terminal de ônibus integrado, que permitiria ampliar a conexão do metrô com o transporte coletivo da região.
A ausência da estação ajuda a explicar a distância entre as duas paradas atuais. O trecho entre Butantã e São Paulo-Morumbi tem aproximadamente 2,4 quilômetros, uma das maiores distâncias entre estações da rede metroviária paulistana.
Por que a estação foi cancelada?
A retirada da Estação Três Poderes esteve relacionada à resistência de moradores do entorno, que manifestaram preocupação com o aumento da circulação de pessoas e os possíveis impactos sobre a tranquilidade dos bairros próximos. A exclusão do terminal de ônibus previsto no projeto também pesou na decisão.
Em resposta a questionamentos encaminhados à companhia em 2013, o Metrô informou que a antecipação da implantação da Estação Vila Sônia, acompanhada de seu terminal de ônibus, permitiria que as estruturas de Butantã e São Paulo-Morumbi absorvessem parte da demanda que seria atendida pela Três Poderes.
Segundo a justificativa apresentada naquele documento, a estimativa de demanda para a estação havia caído para menos de 6 mil passageiros por dia, número considerado insuficiente para justificar o investimento. A companhia confirmou, na ocasião, que a estação não fazia parte do projeto da segunda fase da Linha 4-Amarela.
A resposta oficial também esclareceu o que foi feito no espaço originalmente reservado à parada: durante a primeira fase das obras, foi implantado um poço de ventilação com saída de emergência. A estrutura integra a infraestrutura operacional e de segurança da linha, mas não funciona como uma estação e não oferece acesso regular de passageiros ao metrô.
Demanda pela estação voltou à discussão
A possibilidade de retomar o projeto voltou a aparecer em uma proposta registrada na plataforma Participe+, da Prefeitura de São Paulo, em 23 de agosto de 2025. A iniciativa pede articulação entre o governo estadual, o Metrô, a concessionária Motiva e órgãos municipais para reabrir os estudos de viabilidade da Estação Praça dos Três Poderes.
A proposta busca ampliar o atendimento no eixo da Avenida Professor Francisco Morato e melhorar a integração entre os bairros do entorno e a Linha 4-Amarela. O registro, porém, representa uma reivindicação apresentada na consulta pública, e não uma decisão oficial de construir a estação.
Uma eventual retomada exigiria novos estudos técnicos, avaliação da demanda, estimativa de custos e definição de responsabilidades. .
Enquanto isso, o local planejado para receber uma estação e um terminal de ônibus permanece associado à infraestrutura subterrânea da Linha 4-Amarela. A possibilidade de transformar novamente a área em uma parada para passageiros depende de uma nova decisão dos órgãos responsáveis pelo sistema metroviário.
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