Trecho proposto liga São Bernardo à divisa com a capital; ARTESP aponta pendências, enquanto Next defende a abertura parcial.
O impasse está no BRT ABC, corredor que pretende conectar o Grande ABC à cidade de São Paulo. A proposta de abertura parcial envolve cerca de 10 quilômetros entre a parada Metrópole, em São Bernardo do Campo, e Vila Império, na divisa de São Caetano do Sul com a capital. O percurso completo inclui ligações com Tamanduateí e Sacomã. A abertura de um trecho precisa deixar claro o que o passageiro poderá usar e como completará a viagem.
A Next Mobilidade defende que o primeiro trecho reúne condições para uma operação assistida. Segundo informações publicadas em 3 de outubro, a empresa solicitou autorização à ARTESP e contesta a existência de impedimentos técnicos à abertura. A proposta descrita prevê funcionamento experimental, em dias úteis, das 9h às 15h, sem cobrança no trecho inicial. Essas condições são uma proposta, não um serviço confirmado em operação.
O governo estadual já se manifestou por meio da agência reguladora. Em resposta divulgada em 3 de outubro, a ARTESP informou que sua inspeção identificou pendências de infraestrutura, sistemas e instalações elétricas que impediam o início do serviço. Naquela atualização, a abertura continuava sem data confirmada.
Também houve cobrança do governador. Em declaração de 19 de setembro, registrada pelo Diário do Grande ABC, Tarcísio de Freitas afirmou que a concessão poderia caminhar para a caducidade se o BRT não fosse entregue em 2026. Essa manifestação indica pressão pelo cumprimento das obrigações, mas não equivale a uma decisão de extinguir o contrato.
Caducidade é uma forma de encerramento da concessão por descumprimento. A Lei nº 8.987 exige apuração em processo administrativo, com ampla defesa e observância das etapas legais. Uma declaração política não substitui esse procedimento.
A divergência exige critérios verificáveis: quais pendências atingem o trecho proposto, que providências faltam e como será comprovado seu cumprimento?
A Next também invoca licença ambiental para sustentar o pedido. Licença ambiental e autorização regulatória têm objetos diferentes: a primeira não deve ser tratada, isoladamente, como liberação do serviço ao público.
A avaliação deve considerar a viagem completa: transferência, acessibilidade e espera. Uma conexão difícil pode reduzir o ganho obtido no corredor.
Gratuidade experimental não permite presumir a mesma regra no serviço definitivo ou na conexão com metrô e trem. Cada etapa precisa ter suas condições informadas.
Até a consulta de 5 de outubro, a empresa pedia a abertura e a ARTESP apontava obstáculos. Não foi localizada durante a redação deste editorial uma autorização posterior para a operação parcial. O passageiro ainda depende de uma data autorizada e de condições claras para chegar ao destino.
Nota editorial: Atualização em 05/10/2026. As respostas da ARTESP e da Next foram recuperadas em cobertura de imprensa, não em contato direto do Radar.
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